Até as ultimas décadas do século XIX a humanidade estava inserida no
paradigma da era da agricultura, na qual terra era poder. A partir de então as máquinas e as linhas de montagem passam a reinar, sendo a base da era industrial.
Nas últimas décadas do século XX com o advento da informática, telecomunicações e internet entramos na era da informação, caracterizada pela velocidade dos avanços tecnológicos, onde o conhecimento humano passa a dobrar a cada três ou quatro anos.
A área de saúde é baseada em informação, portanto o impacto destas novas tecnologias na prática médica e nos serviços de saúde é imenso. Os resultados possíveis são a melhoria do acesso aos serviços de saúde, uma prática médica baseada em evidências científicas e uma melhor gestão de serviços e programas de saúde.
A variedade de ambientes, prioridades e demandas do setor saúde requerem aplicações tecnológicas capazes de dar suporte a decisões clínicas, gerenciais e de saúde pública, complexas e interdependentes.
O sistema de saúde está em crise, quer dizer mudança. Há uma mudança do modelo centrado na instituição para um modelo centrado no indivíduo com ênfase na promoção da saúde. Isto significa cidadãos mais informados e pró-ativos em relação a sua própria saúde.
O sistema de saúde brasileiro e de muitos países apresenta alguns fatores que o tornam ineficiente e limitam a melhoria do nível de saúde e da qualidade de vida de segmentos significativos da sociedade. Entre eles está a má distribuição de recursos, incluindo serviços e profissionais; a dificuldade de acesso ao sistema por parte de certos segmentos da população, incluindo populações de baixa renda, isoladas ou confinadas; e a escalada de aumento de custos tanto na área pública quanto privada.
A interação da telemática com os serviços de saúde é o campo da telessaúde, que tem sido encarada como uma resposta multifacetada voltada para estes três desafios – acesso, qualidade e custo. Através de tecnologias de informação e de comunicação inovadoras, a capacidade produtiva é expandida e a eficiência de distribuição do sistema é aumentada.
Cria-se o conceito de “inteligência médica distribuída”. Essas inovações incluem combinações de soluções de telecomunicações, telemetria e tecnologia computacional, assim como uma estrutura organizacional integrada e uma gama de aplicações clínicas, educacionais e de gestão.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) e a União Internacional de Telecomunicações (UIT) têm colaborado na introdução e no uso da telessaúde. A definição formal da OMS para telessaúde é a prática da assistência médica usando comunicação de áudio, vídeo e dados; incluindo prestação de assistência médica, consulta, diagnóstico, tratamento, educação e transferência de dados médicos. O termo educação cobre tanto educação dos pacientes como a educação continuada dos profissionais de saúde.
Os termos telemedicina, telessaúde e e-saúde são usados freqüentemente de maneira intercambiável. Em geral referem-se a:
- Vários tipos de serviços de saúde, variando de informações sobre saúde e doenças, monitoração remota de pacientes até intervenções de robótica.
- Os serviços em questão envolvem pessoas distantes do prestador.
- Os serviços são executados usando uma variedade de tecnologias de informação e telecomunicações.
Enquanto telemedicina é usado para se referir à prestação remota de assistência médica, o termo mais amplo telessaúde é usado para incluir educação de pacientes, saúde pública, educação continuada para os profissionais de saúde e assuntos administrativos, como dados demográficos, admissão, transferência, alta hospitalar e agendamento de consultas e procedimentos. E-Saúde é freqüentemente usado para se referir a aplicações comerciais pela internet.
A infraestrutura comum a estes serviços inclui equipamentos usados para capturar, transmitir, armazenar, processar e emitir voz, dados e imagens digitais. Os avanços tecnológicos como fibra ótica, satélite e compressão de vídeo têm minimizado as limitações de custo e expansão, aumentando o interesse do setor público e privado.
Alguns destes instrumentos são variações de câmeras já usadas em cirurgias laparoscópicas, permitindo serem usadas em qualquer parte do corpo. O sistema pode também gravar o exame, permitindo a comparação de uma ausculta cardíaca antes e após o tratamento. É possível a transmissão em tempo real, ou de forma assíncrona, radiografias, ressonâncias, tomografias, imagens de patologia e outros testes diagnósticos. As aplicações mais comuns de telemedicina são a tele-radiologia, telepatologia, teledermatologia, telepsiquiatria, telecardiologia, teleneurologia, teleotorrinolaringologia, teleultrasonografia e gestão de trauma remoto.
O suporte tecnológico e os protocolos necessários são predominantemente os mesmos para a tele-educação e treinamento na área de saúde. Ou seja, a mesma tecnologia que irá dar suporte ao médico generalista na obtenção de aconselhamento por um especialista, também irá dar suporte a um conferencista em disponibilizar uma sessão de treinamento, com demonstração interativa, a uma audiência remota em qualquer lugar do mundo.
Os primeiros projetos de telemedicina se iniciaram na década de 60, nos Estados Unidos e antiga União Soviética, pela necessidade de comunicação e transferência de dados em seus programas aeroespaciais. O objetivo era garantir assistência médica para os astronautas e áreas distantes. Na década de 70 o National Center for Health Service Research promoveu e financiou pesquisas em telemedicina com o objetivo de melhorar o sistema de saúde atuando na intervenção de emergência e educação médica. Em 1974 incluiram a integração de sistemas e redes de telecomunicações para melhorar o acesso e a eficiência do sistema de saúde, assim como a redução de custos.
A visão atual e a avaliação das tendências apontam para uma evolução no sentido de um novo paradigma na saúde, incluindo mudanças fundamentais na assistência médica, sua gestão e seu financiamento. De uma maneira geral, as tendências apontam para um sistema de saúde centrado no indivíduo, onde aplicações como prontuário eletrônico, e outros serviços de telessaúde, fortalecerão uma medicina mais preventiva e efetiva.
Portanto telessaúde pode ser visto como componente vital dentro de um sistema de saúde inovador que pode prover uma grande variedade de serviços de saúde e educação para os seus clientes, independente do espaço e tempo. Como um sistema de saúde inovador, cria-se um novo modelo organizacional, mais racional, orientando os pacientes para a assistência apropriada no momento apropriado e dando suporte à tomada de decisões mais eficientes. A proposta é atingir o objetivo de melhoria do acesso a assistência, o controle do aumento de custos e a melhoria da qualidade.
Dr. Alexandre Ghelman
